quarta-feira, 29 de maio de 2013

É mais de 300 reais (no autotune)

Estou colocando este vídeo no meu blog porque fiquei admirado com o poder de síntese dessa senhora; no vídeo original, ela consegue resumir todo o drama da situação em apenas 16 segundos. Haja síntese! Achei ela genial.

Tem muito marmanjo e marmanja por aí com doutorado que não consegue isso (falo por experiência própria, pois embora consiga sintetizar bem as coisas, também sou prolixo).

É mais de 300 reais original


Veja o vídeo original do "é mais de 300 reais" de 16 segundos aqui:


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É mais de 300 reais com o autotune


E veja aqui o "é mais de 300 reais no autotune":

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Onde encontrar material de inglês online de qualidade

O objetivo deste artigo é dar dicas de onde encontrar material de inglês online gratuito de qualidade, como é o caso do Curso de Inglês Grátis do Mr. Kind, para quem precisa estudar em casa e não gosta de perder tempo com bobagem.


Confira as dicas de gramática, vocabulário / glossários, inglês através de músicas, filmes e outros assuntos de interesse, como cultura.

Gramática bilíngue inglês - português





Esta página contém a introdução à gramática bilíngue do Mr. Kind. A partir dela, você acessa todas as unidades da gramática, com todo o conteúdo nas duas línguas, para você economizar tempo no dicionário.

classes de palavras

Glossário de inglês técnico para informática


Até agora, o melhor glossário de termos técnicos de informática inglês-português que já vi é o do Curso de Inglês Grátis do Mr. Kind, que é um curso abrangente para estudantes de inglês que querem estudar online de maneira gratuita.

glossário de inglês técnico para informática é extenso e bem traduzido.

Se for colocado num editor de texto, deve conter umas 20 páginas das palavras mais comuns na área de informática.

O glossário está organizado da forma mais simples possível, que é em ordem alfabética.

Você encontra rápido os termos que precisa.

Outros glossários


Aliás, falando em glossários, o Curso de Inglês Grátis do Mr. Kind tem outros: tem um glossário de Pilates, com termos e expressões comuns para quem pratica essa atividade física, tem outro de Business English (que já tem seis artigos), tem uma longa lista de verbos regulares em inglês (com tradução, claro), e outra lista maior ainda de verbos irregulares em inglês, um glossário variado que abrange muitas áreas diferentes, como saúde, direito, relacionamentos, personalidade, trabalho, etc, e finalmente uma seção de inglês para viagens e turismo, para você que precisa de inglês urgente para viajar.

Em suma, não tem como você não aumentar seu vocabulário com as publicações do Mr. Kind.

Aprendendo inglês com música


Ouvindo professores de inglês brasileiros e estrangeiros, descobri que um dos métodos mais eficientes para ensinar (e aprenderinglês é através de músicas.

Por que?

Você me perguntaria, embora ouvir música em inglês seja uma coisa comum.

Pelo fato de que, quando ouvimos música, decoramos frases inteiras, e não apenas palavras separadas.

E decorar frases inteiras é essencial para a internalização da língua.

Assim, não deixe de usar este recurso fantástico de aprendizado em qualquer língua, e neste caso em inglês, que é decorar as letras de suas músicas preferidas.

Melhor do que isso, só tendo uma boa tradução da letra para acompanhar.

Neste caso, indico a seção Aprenda Inglês com Música, do Curso de Inglês Grátis do Mr. Kind, que pode ser também acessada pelo Mapa do Site, que contém uma lista com 72 músicas traduzidas até agora (essa categoria aparece em primeiro lugar, e você tem de cara a lista completa, com links que abrem em outra página).

Outra vantagem desse curso é que cada música tem uma introdução que resume sua história, tem o áudio, claro, e a letra nos dois idiomas (aliás, tudo nesse curso está nas duas línguas, além de ter um dicionário online inglês-português no canto inferior direito para tirar suas dúvidas.

Divirta-se aprendendo, ou aprenda inglês se divertindo.

Dicas de inglês


Finalmente, falo sobre a seção Dicas de inglês, que contém mais de 90 artigos, sobre os mais variados temas dentro do âmbito da língua inglesa.

Há abordagem a vocabulário de todos os tipos, desde vestuário a expressões idiomáticas, e outras, como dicas que ensinam como dizer em inglês palavras e expressões como tecnólogo, cdf, dia dos namorados, charuto e cigarro,  sede, carrasco, frutas, além de detalhes linguísticos, como verbos e pronomes e pronúncia das palavras.

Não tem como falar tudo aqui, vá ao Curso de Inglês Grátis do Mr. Kind e confira tudo isso (se quiser acessar pelo mapa do site no menu superior, ele mostra tudo em ordem alfabética.

Bom estudo!

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De brinde, vai uma música para relembrar o gênio de Michael Jackson: Billie Jean, com legendas em português:


terça-feira, 21 de maio de 2013

As 10 melhores frases de Seu Madruga

Veja o vídeo com as 10 melhres frases de Seu Madruga, do seriado mexicano Chaves:

Confira todas essas pérolas do "filósofo" do não-trabalho, afinal, quem pode viajar de férias para a praia devendo meses e meses de aluguel tem que ser um gênio e merecer reverência (ah se eu pudesse):

Isso, isso, isso, isso!

Um garoto esperto responde a repórter em estilo Chaves:

As 10 cenas mais malucas de Nicolas Cage

Veja vídeo incrível com as 10 cenas mais doidas de Nicolas Cage.

A pessoa que publicou o vídeo o chamou de "Os 10 Momentos Mais Engraçados de Nicolas Cage (Intencionais ou não)", mas eu prefiro não ir tão longe, pois a meu ver algumas cenas não chegam a ser engraçadas, apenas muito estranhas.

Confira por si mesmo (no próprio YouTube, porque a incorporação foi desativada a pedido do autor; o vídeo está em inglês, sem tradução, mas também não precisa).

Como são cenas imperdíveis, achei que valia a pena colocar o link aqui, mesmo não sendo possível incorporar ao blog.

 

domingo, 5 de maio de 2013

O misterioso caso do bezerro que virou cabrito!

Acreditem se quiser: este é o misterioso caso do bezerro que virou cabrito.

Ao ler a chamada de vídeo na capa do UOL para ver um bezerro pulando em cima de um porco, já fiquei com um pé atrás.

Vivi até os 19 anos em zona rural e com frequência na fazenda do meu pai, e nunca tinha visto nenhum caso de bezerro pulando em cima de porco, até porque o tamanho não permite, nem mesmo quando o bezerro é pequeno.

De qualquer forma, fui verificar, e pasmem: o bezerro virou um cabrito no vídeo (estou procurando o bezerro até agora; a menos que eu tenha ficado míope e não consiga mais distinguir um bezerro de um cabrito; se eu estiver nesse estado, por favor, me internem!!!):

porco e cabrito

 

porco e cabrito porco

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Agora vejam o vídeo do bezerro que virou cabrito, e que pula em cima do porco (inclusive é possível ver uma enorme vaca perto do porco, SÓ QUE NÃO:




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Para quem não sabe o que é um bezerro, veja este vídeo com bezerros da raça Nelore (dá pra ver que bezerros são um pouquinho maiores que cabritos, não acham?):


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Conto: O mistério da ex-instrutora de catequese

Em um tempo distante, em uma terra distante, nos tórridos trópicos de alguma republiquinha das Américas, terra ávida de água e pródiga de suor, um pequeno grupo de crianças frequentava assiduamente as aulas de catequese da instrutora, que fazia seu trabalho corriqueiro de auxílio paroquial.

A instrutora de catequese não tinha nada que lembrasse, mesmo vagamente, qualquer aspecto da atividade humana para sobrevivência da espécie quando utilizada para outros fins mais aprazíveis – para os pimpolhos, pelo menos -, visto que era uma senhora contida e recatada, que tinha seus afazeres domésticos e devia exercer alguma profissão condizente com sua personalidade, e em seu tempo livre utilizava seus dons professorais para professar tal missão.

No máximo poderia ser dito que era uma senhora ainda jovem – entre os trinta e quarenta, quem sabe -, mas nada mais que isso, pois também não havia nela nenhum traço que despertasse a atenção de um representante mais afoito do sexo oposto por mais de alguns segundos. Em suma, era uma pessoa comum, normal, com tanta sensualidade quanto um largo de igreja, como diria um poeta.

Aliás, não havia nada de extraordinário nela nem para os pequenos que acorriam às suas aulas para ouvir suas santas palestras.

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Passaram-se os anos, vários, a criançada cresceu, estudou, se formou, e saiu mundo afora em busca de horizontes mais amplos. Cada um seguiu seu rumo, e parcas lembranças ficaram daquele tempo perdido na vastidão dos passados.

Como em qualquer lugar, de vez em quando os viventes relembram suas origens e viajam para rever os que ficaram em seu torrão natal.

E foi assim que um dos integrantes desse grupo de catequese, muitos anos depois, em uma de suas visitas à terrinha, ficou embasbacado de surpresa ao passear à noite pela cidade para matar a saudade e passar em uma rua no bairro dos bares e notar, em uma das portas laterais de um deles, uma pessoa do sexo feminino, não mais jovem, em franca posição de convite aos transeuntes do sexo oposto, tanto por sua atitude convidativa quanto por seus poucos e parcos trajes.

Essa reação desmesurada, ao caminhar pela calçada oposta, foi por ter sentido imediatamente que conhecia aquelas feições de algum lugar.

Enquanto seus passos o guiavam em ritmo lento, fingiu apenas estar curioso em ver o que havia dentro do bar, passeando a vista através das portas e janelas, e ao redor, ao mesmo tempo em que puxava o mais rápido que podia pelo registro daquela fisionomia em sua memória.

E seu espanto aumentou ao lembrar que aquele rosto, agora mais envelhecido, e bem mais maltratado, era o da sua antiga instrutora de catequese.

Mas o que ela estava fazendo ali?  E com aquelas roupas? E naquela idade!

senhora frente ao computador

Ao confirmar mais uma vez para si que era mesmo a mesma pessoa, a de sua memória, aquela que ali se apresentava, ele baixou a cabeça e apressou o passo, sem olhar para trás. Não havia nele qualquer capacidade de compreender a transformação que havia acontecido. E nem curiosidade isenta de julgamento suficiente para indagar da pessoa como aquilo tinha acontecido. E muito menos conseguiu pensar em qualquer desculpa esfarrapada para tentar iniciar uma conversa fora de hora. Apenas seguiu em frente pensando que a vida dá mesmo muitas voltas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Imagens da ciclovia na Av. Ipiranga, Porto Alegre

Outro dia, à tardinha, passei pela Av. Ipiranga, em Porto Alegre, em direção ao Shopping Praia de Belas, e fui olhando a famigerada ciclovia dessa avenida, que fica no trecho entre uma das vias da avenida, que tem a poluição dos automóveis, e o Riacho Dilúvio, que enche as narinas e os pulmões dos ciclistas com aquele ar contaminado de odores indescritíveis.

Aliás, não sei como os ciclistas - não muitos, é verdade - conseguem pedalar por ali.

Mas, como tudo que há de ruim pode ser piorado pela infinita criatividade humana, comecei a perceber que há vãos ao lado das árvores que existem às margens do riacho.

E pensei comigo: o que aconteceria se um ciclista, perturbado pela poluição sonora e atmosférica do trânsito constante da Av. Ipiranga, perdesse o equilíbrio diante de um desses vãos?

Ele se esborracharia barranco abaixo e cairia de boca na merda que boia na águas pútridas do riacho, obviamente.

Acha que não?

Olha como é o leito do Riacho Dilúvio próximo a esse trecho.

Veja essas imagens e raciocine (se há uma razão ambiental para não colocar proteção para o ciclista nesses espaços, para proteger as árvores, por que construir uma ciclovia nesse local?

Nem vou falar mais - o que realmente penso disso -, para não ser processado depois por causa de uma merda dessas; deixo que as imagens falem por si.):

árvores na avenida ipiranga porto alegre DSC02075 DSC02076 DSC02078 DSC02080 DSC02082 DSC02083 DSC02084 DSC02085

Onde alguns fumantes deixam seu lixo

Eu sei o que é ser fumante.

Fumei desde a adolescência até a juventude, e depois em períodos alternados até 2010, quando parei definitivamente de fumar (assim como deixei de beber qualquer tipo de bebida alcoólica a partir de 2009).

Quando fumante, sempre tomei cuidado para não deixar meu lixo de fumante em locais inadequados, além de não fumar onde fosse perturbar o sossego alheio.

Mas, a exemplo das pessoas que não cuidam direito de seus bichinhos de estimação, também há fumantes que largam seu lixo em qualquer lugar, como pela janela, não importando quem esteja embaixo, nos corredores, pelas calçadas e ruas, e até em canteiros (do meu edifício):

pontas de cigarro no canteiro DSC02063 DSC02064 DSC02065

Conto: O aprendiz de meditação no túnel

O APRENDIZ NO TÚNEL

Estava escurecendo e eu seguia pela estrada.  Caminhava e apreciava o verdor que se estendia pelas florestas copadas.  O  vento fresco aliviava o calor.  Uma cor marrom começava a cobrir o céu.

Ao virar uma curva da estrada, apareceu á minha frente uma  colina, e vi que a estrada continuava por um túnel aberto ao pé  de sua parede de pedra.

Como eu precisava atravessar o túnel para chegar ao meu  destino, resolvi que a travessia deveria ser feita naquela hora.   Era melhor do que dormir do lado de cá e atravessar na manhã  seguinte.  E assim fiz.

Entrei. Da entrada podia-se enxergar o fim do túnel.  Mas  logo essa  visão desapareceu.  Com certeza as nuvens bloqueavam a  luz do sol.  Ás vezes a visão voltava, para logo sumir de novo.  Dentro do túnel a coloração era toda amarronzada, indefinida, clareando e escurecendo conforme a quantidade de luz.

O formato interior era quadrado.  As paredes subiam retas  para encontrar um teto também reto.  Não havia lâmpadas.  Havia  cabeças.   Rostos humanos adornavam os cantos superiores.  Havia  uma fileira de caras em cada lado.  Feições talhadas em pedra.  Todas elas com mordaças nas bocas.  O silêncio era completo.

Pouco a pouco, porém, as mordaças começaram a cair.  E as bocas começaram a falar.  E muitas falavam ao mesmo tempo.  Em  instantes, o túnel estava tomado por aquela murmuração atordoante.   Eu não conseguia mais pensar.  Aquela balbúrdia invadiu a minha  cabeça e eu não raciocinava mais.  Não conseguia mais andar direito e tropeçava a toda hora.

Usando  o resto de força que eu tinha, tentei me concentrar  em meu mantra.  Consegui repeti-lo algumas vezes.  Em princípio, não adiantou  muito.   As vozes eram suficientemente fortes  para  me desconcentrar.  Continuei tentando.

Percebi que, quando eu conseguia manter o mantra em minha mente por  mais  tempo, algumas mordaças voltavam paras as bocas  e  as caras se petrificavam.  Contudo, mal eu perdia a concentração, as mordaças caíam e as bocas voltavam a falar.  E cada vez mais  alto.

homem falando

Percebi que a travessia dependia da minha capacidade de me concentrar.   Fui em frente.  Concentrei-me e  disciplinei  ainda mais a repetição.  Até que por fim o silêncio retornou totalmente ao túnel e eu pude continuar a minha jornada.  Olhei para o  teto e ainda pude ver, com a derradeira claridade do crepúsculo, todas as caras amordaçadas e quietas em seu estado de pedra.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Conto: "Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece."

Era  de manhã e eu saí de casa para comprar presentes de  natal para minha família.  Passei por muitas lojas, olhei muitas vitrinas,  vi  milhares de pessoas comprando e  carregando  presentes.   Não  senti  nenhuma vontade de dar presentes.  Eu  não  conseguia imaginar  um presente que transmitisse o que eu estava  sentindo.  O que eu sentia nenhum presente era capaz de dar.  O que eu  sentia já era conhecido e compartilhado pelas pessoas que receberiam os presentes.

Fui para o parque.

Caminhei  pelo  gramado entre as árvores  procurando  um  lugar tranqüilo  para sentar e relaxar.  Havia muito barulho de  carro.  Mas  aquilo não me incomodava.  Somente busquei um local  onde  o ruído fosse menor.

Embaixo  de uma grande árvore à beira de um pequeno lago.   Alguns mergulhões fizeram escândalo com minha chegada, voaram ameaçadores  de  um lado para outro, cantando alto.   Sentei  quieto.  Aos poucos eles também se acalmaram e retomaram sua busca de alimento entre as plantas aquáticas que boiavam sobre a água.

Cruzei as pernas, tirei os óculos e fiquei por algum tempo  observando a água.  Fechei os olhos e comecei a repetir mentalmente um mantra.  Pouco a pouco, todos os ruídos foram se desvanecendo até ficar apenas aquele som silábico ecoando devagar em minha cabeça.

Nada mais.

Algum tempo depois, vi à minha frente um campo verde com muitas árvores.  Do lado direito havia uma pessoa sentada na grama.  Usava um traje marrom escuro com capuz.  Como ele se achava meio inclinado para a frente, o capuz cobria praticamente  todo  seu rosto.  Só o queixo era visível.  Ele ficou lá sentado em silêncio até desaparecer.

homem falando

Pequeno conto

“Feitiço é bumerangue perseguindo a feiticeira.” Lenine

Uma vez, há muitos anos, quiçá décadas, numa cidade não muito grande de uma província distante de uma republiqueta qualquer de bananas incrustada em algum ponto remoto da seção meridional da América, estava um humilde professor lecionando a seus pupilos sua singela aula quando aconteceu uma premonição, que o professor jamais imaginaria que o fosse.

De repente e não mais que de repente, o tema da aula foi desviado para política, e entre seus alunos havia descendentes de políticos influentes locais, como não podia deixar de ser.

Por mais que o sábio professor ressaltasse sua posição de não dirigir as opiniões e que resguardasse seu direito de não emitir pitacos sobre assuntos polêmicos como política, religião e esportes de preferência popular, o conteúdo da aula foi parar nos ouvidos dos tais políticos locais, já que os alunos, no calor de sua juventude, mesmo os co-relacionados aos políticos, só falavam das frequentes  e sabidas más práticas dos supostos representantes do povo.

E o pobre professor, sem querer fama ou infâmia, acabou recebendo uma reprimenda tremenda de sua diretora, que o descascou, sem sequer querer saber do contexto da discussão nem de sua atitude de isenção em sua lição, mas somente por ter sido mencionado em círculos onde não o deveria.

Passado o entrevero, a vida seguiu seu curso. E como eu disse no início, muitos e muitos anos depois, já aposentado e afastado de todas aquelas pessoas, e na verdade sem mesmo se lembrar da existência delas, eis que o ex-professor é surpreendido pela estupefação ao bater os olhos no vespertino local, após seu delicioso café da manhã e o alvoroço de uma fresca brisa soprando pela janela: na primeira página, ocupando meia página somente com sua foto, um integrante daquela famosa família política, sendo empurrado para dentro de um camburão por vários policiais, que estavam prendendo integrantes de um grupo acusado de tráfico de influência no governo.

Aí ele parou e pensou e aquilo pareceu lhe rememorar algo há muito acontecido e soterrado pelo esquecimento.

Após alguns momentos de reflexão, lembrou-se daquele episódio escolar, e um sorriso irônico chegou ao canto de sua boca. É, tudo que vai, um dia, volta.

Ás vezes o acaso nos surpreende, pensou ele, principalmente quando nos desapegamos de querer que algo seja feito pelas nossas próprias mãos. Cada um cria o destino que quer para si, e mais dia menos dia, esse destino chega, mesmo que seu criador não se dê conta disso. Ou até pior, que esteja ciente dele, mas não o dá importância, achando que certas coisas só acontecem aos outros.

mulher e menino

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*Qualquer semelhança com algum fato verídico é mera coincidência temporal.